domingo, 9 de dezembro de 2012

A Verdade


Quero que saibam sinceramente que quanto a acreditar em deus eu tentei de verdade. Já tentei acreditar que existe um deus que criou cada um de nós a sua imagem e semelhança que nos ama muito e observa tudo. Eu realmente tentei acreditar, mas tenho que lhes dizer: Quanto mais você vive, quando mais você olha ao seu redor mais você percebe: alguma coisa não cheira bem. Há algo errado aqui. Guerras, doenças, mortes, destruição, fome, poluição, pobreza, tortura, crime, corrupção e os shows de patinação no gelo. Definitivamente há algo errado. Isto não é um trabalho bem feito. Se isso é melhor que deus pode fazer não me impressiona. Esses resultados não fazem parte do curriculum de ser um supremo. Porcarias como essa você espera de um empregado temporário e estouvado. Cá entre nós em qualquer universo administrado decentemente esse cara todo poderoso já estaria no olho da rua há muito tempo. Eu disse “esse cara” porque eu acredito fortemente, vendo esses resultados que, se existe um Deus, ele deve ser homem. Mulher alguma poderia bagunçar as coisas assim. Então se existe mesmo um deus, eu acho que a maioria das pessoas devem concordar que ele é no mínimo, incompetente e talvez simplesmente não está nem ai. Que é algo que eu admiro numa pessoa e que explica o porque desses maus resultados. Então em vez de ser apenas um robô religioso, acreditando louca e cegamente que tudo isso está nas mãos de uma figura paterna incompetente e medonha que não está nem aí, eu decidi olhar ao meu redor em busca de outra coisa para louvar Uma coisa com a qual eu poderia contar e imediatamente eu pensei no sol.  Aconteceu assim (pop!) Em uma noite eu me tornei uma “adoradora do sol”.  Bem, não exatamente em uma noite. Não se pode ver o sol de noite. Mas bem cedo do dia seguinte, eu me tornei uma adoradora do sol. Por várias razões: 1º eu posso ver o sol. Ok hahaha. Ao contrário de outros deuses que eu posso citar eu posso ver o sol de verdade. Eu gosto disso.  Se eu vejo alguma coisa. Sei lá lá, tipo assim, ajuda na credibilidade, sabe? Assim todo dia eu posso ver o sol. E ele me dá tudo o que preciso: Calor, vida, comida, flores no parque, o reflexo no lago e, vez ou outra, câncer de pele, mas pelo menos não há crucificações e não jogaremos as pessoas na fogueira só não concordam conosco. A adoração ao Sol é bem simples: Não há mistérios, milagres, rituais, ninguém pede dinheiro. E não nos reunimos semanalmente só para comparar nossas roupas.E o melhor de tudo: a melhor coisa sobre o sol é que ele nunca diz que eu não sou digna. Não diz que eu não sou mau e que preciso ser salva. Nunca disse uma palavra mau-criada. Trata-me muito bem. Então eu louco o Sol. Mas eu não faço preces ao Sol. Sabe porque? Não é que espero da nossa amizade. Não é educado. Quantas vezes as pessoas tratam deus mal pedindo por trilhões e trilhões de coisas todo dia. Pedindo, implorando favores. Faça-me isso, dê-me aquilo. Preciso de um carro novo. Quero um emprego melhor. E a maioria das preces acontecem nos domingos no dia de sua folga. Não é assim que se trata um amigo. Mas as pessoas rezam. E rezam pelas mais diversas razões. Sabe, a sua irmã precisa daquela operação no meio das pernas. Seu irmão foi preso por ter defecado no shopping. Mas, principalmente, porque você precisa mesmo dar umazinha naquela ruiva na loja de conveniência. Sabe? Aquela com tapa olho e com o pé torto para dentro? Você rezou por isso? Acho que você deveria. Tudo bem, reze pelo o que você quiser, qualquer coisa. Mas... e o plano divino? Lembra disso? O plano divino. Há muito tempo atrás deus criou o plano divino, pensou bastante a respeito, concluiu que estava bom. Colocou-o e prática e, por bilhões e bilhões de anos o plano divino estava indo muito bem. Agora você vem e reza por algo. Suponhamos que o que você quer não está no plano divino. O que quer que deus faça? Mude o plano? Só por sua causa? Não acha pouco arrogante de sua parte. De que vale ser deus se deus todo vem com um livro de orações de dois dólares e esculhamba com seu plano? E sabe o que mais? Outro problema: Suponhamos que sua prece não sejam atendidas. O que você diz? Oh, é desejo de deus. Assim seja. Tá bom. Mas se é desejo de deus e se ele vai fazer o que quer de qualquer modo, pra que diabos serve rezar? Parece-me uma grande perda de tempo. Não acham melhor pular a parte da reza? E ir direto a sua vontade? É tudo muito confuso. Então para resolver tudo isso eu decidi louvar ao Sol. Mas como já disse, não rezo para o Sol. Sabem pra quem eu rezo? Joe Pesci. Duas razões: primeiro acho que ele é um bom ator. Ok? Para mim é importante. Segundo: ele tem um jeito de que resolve as coisas. Joe Pesci não da mole. Na verdade, Joe Pesci consegue as coisas que são trabalho para deus resolver. Durante anos pedia a deus para dar um jeito no meu vizinho e seu cão que sempre latia. Joe Pesci deu um jeito naquele filho da mãe numa visita só. É inacreditável o que se consegue com um taco de basebol. Então tenho rezado a Joe há cerca de um ano. E percebi uma coisa. Percebi que todas orações que fazia a deus e que agora peço a Joe Pesci fui respondida na mesma proporção de 50% mais ou menos. Metade das vezes consigo o que quero, metade não. O mesmo com deus: meia-a-meio. Igual ao trevo de quatro folhas, ferradura, poço dos desejos, pé-de-coelho, feiticeiros. Igual a mulher vudu que vê o seu futuro ao apertar os testículos do bode. Tudo a mesma coisa meio-a-meio. Então escolha a sua superstição, faça um desejo, sente-se divirta-se. E para aqueles que procuram na bíblia lições de moral e qualidade literária eu gostaria de sugerir outras estórias. Vocês irão gostas dos Três porquinhos. Muito bom. Tem um final feliz. Sei que gostam disso. E tem Chapeuzinho vermelho. Bem, aquela parte censurável, onde o lobo-mau com a vovozinha. Mas eu nem dei a mínima. E pra terminar, eu frequentemente encontro grande conforto moral em Humpty Dumpty. A parte que eu mais gosto é: nem todos os cavalos do rei e todos os homens do rei puderam juntar os pedaços de Humpty Dumpty. Porque não existe Humpty Dumprty e não existe deus nenhum. Nenhum deus nunca existiu. Na verdade vou dizer assim: se existe um deus que caiam mortos todos que estão lendo isso. Viram? Nada aconteceu. Todos estão bem. Digo mais. Vou ainda mais longe. Se existe um deus que ele me tenha morta. Estou aqui ainda. Espere!!! Estou com uma cãibra na perna e minha bunda dói. Estou cega também. Agora estou bem de novo. Deve ter sido Joe Pesci, hã? Deus abençoes Joe Pesci.


Muito obrigada a todos vocês!

Fofocas

Fuja das fofocas e daquele que fala demais. Não se iluda, esse mesmo que lhe tragam notícia da vida alheia, também falará de você pelas costas.

Inferno dos vivos

"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estamos juntos. Existem duas maneiras de não sofrer: a primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte dele até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço."


quarta-feira, 2 de maio de 2012

JUSTIÇA?



Não é a toa que a Justiça é representada por uma deusa - Themis.
Traz, em uma das mãos, a espada, que é a força do julgador, o poder que ele tem para decidir. Na outra, segura uma balança, para que suas decisões sejam harmoniosas, para que não pesem demais, nem de menos.
A deusa da Justiça é vendada não por que é cega, mas por que não pode fazer acepção de pessoa. Deve ser racional e justa. Negros e brancos, ricos e pobres, poderosos e humildes todos devem-lhe submissão.
Pena que Themis é só um arquétipo, um ideal.
Na vida real, a Justiça no Brasil é capenga, preconceituosa, elitista: serve aos ricos, pune os pobres.

sábado, 7 de abril de 2012

Manifesto da Misantropia


Manifesto da misantropia com regras de conduta com as quais deveríamos nos pautar:
ð  Não conte a um amigo o que seu inimigo não pode saber.
ð  Considere todos os assuntos pessoais como secretos, e mantenha-se distante até de amigos próximos. (...) Se os fatos, mudarem, saber de algo, por mais inofensivo, a seu respeito será desvantagem para você.
ð  Metade da sabedoria consiste em não gosta nem odiar. Ficar calada e não acreditar em anda é a outra metade.
ð  A segurança é mãe da desconfiança (provérbio frânces, que ele endossava).
ð  Esquecer os defeitos de um homem é como jogar fora o dinheiro que custou a ganhar. Devemos nos proteger da familiaridade e das amizades idiotas.
ð  A única forma de um homem se manter superior aos demais é mostrar que não depende deles.
ð  Desconsiderar é ganhar consideração.
ð  Se temos alguém em alta consideração, devemos esconder tal fato como se fosse um crime.
ð  Melhor deixar que os homens sejam como são do que acreditar no que não são.
ð  Jamais devemos demonstrar raiva e ódio, a não ser ações (...) os animais de sangue frio são os mais venenosos.
ð  Se você dor educada e simpática, as pessoas ficam dóceis e obedientes. Assim, a polidez faz com a natureza humana o mesmo que o calor faz com a cera.


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mulher


As mulheres conquistaram avanços extraordinários: voto, mercado de trabalho e até a presidência da república. Nos tornamos donas do nosso próprio destino. Em tese. Ainda somos subjugadas pela violência doméstica, vítimas do homem. Para enfrentar a violência, ganhamos uma Lei forte – A Maria da Penha. Mas ela se torna importe quando não é amparada pelo Estado. Se há poucas delegacias, há menos ainda ajuizados ainda e muito menos casa de acolhimento. A mulher que denuncia, volta ao lar do agressor. Ou silencia sua dor, ou morre pela denúncia.





Raquel Sheherazade

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Cortando o Tempo



Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
A que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial!

Introduziu a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra frente vai ser diferente.


Carlos Drummond de Andrade.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Alice

... A senhora me desculpe, mas  no momento não tenho muita certeza.
Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. Receio que não possa me explicar Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas, mas não posso explicar a mim mesma...


Concordo inteiramente com você - disse Dona Duquesa.
- E a moral disso é: "Ser o que você pareceria ser". Ou se você preferir isso dito de uma maneira mais simples: "Nunca se imagine como sendo outra coisa do que aquilo que poderia parecer aos outros que aquilo que você foi ou poderia ter sido não fosse outra coisa do que você poderia ter sido pareceria a eles ser outra coisa."
- Acho que eu poderia entender isso melhor - Disse Alice de maneira muito educada - se estivesse tudo escrito. Mas, desse jeito, eu não consigo entender o que você quer dizer.


"Mas eu não quero me encontrar com gente louca",  observou Alice. 
"Você não pode evitar isso", replicou o gato.
"Todos nós aqui somos loucos. Eu sou louco, você é louca."
"Como você sabe que eu sou louca?"Indagou Alice.
"Deve ser disse o gato." "Ou não estaria aqui."


Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: As apenas um segundo.


"A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível."




"Nada é conquistado com lágrimas."




"Tudo tem uma moral, se você conseguir simplesmente notar."




Lewis Carroll, poeta, matemático e romancista britânico. Carroll se tornou mundialmente famoso quando escrever o clássico "Alice no País das Maravilhas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Cura de Schopenhauer


O que mais temos? O que mais senão aquele abençoado e milagroso intervalo de ser e estar consciente? Se algo deve ser homenageado e abençoado, deveria ser apenas isso, a incalculável dádiva do mero existir. Viver desesperada porque a vida acaba ou porque não tem outra finalidade maior ou desígnio intrínseco é pura ingratidão. Pensar num criador onisciente e dedicar a vida a um ajoelhar-se-sem-fim parece sem sentido. Além de um desperdício: Porque dar todo esse amor a um fantasma, quando há tão pouco amor em volta da Terra? Melhor aceitar a solução de Einstein e Spinoza: apenas inclinar a cabeça e bater no chapéu para as elegantes leis e mistérios da natureza, mais tratar de viver.


A Cura de Schopenhauer - Irvin D. Yalom
Quando Dr. Julius descobre um melanoma.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ética?



TODOS FREQUENTAVAM aulas de Ética no primeiro colegial. Era matéria obrigatória. Pra quê? pensava White Mike. Ele sempre ficava de saco cheio nas aulas de Ética, mas fingia o contrário e tirava boas notas, até o dia em que o tópico a ser discutido durante a aula foi religião: discriminação, fé, liberdade, essas coisas. White Mike se remexia na cadeira enquanto ouvia seus colegas tentarem articular seus pensamentos acerca de como eles gostavam dos valores morais do cristianismo, ao mesmo tempo em que achavam que a religião era o ópio das massas. A garota negra da turma, que era bolsista, começou a contar que ela ia à igreja todos e c os domingos, cantava, e como havia um forte sentido de comunidade. White Mike estava de mau humor. Levantou a mão e todos olhavam para ele, pois quando ele falava era sempre uma coisa diferente.
- O problema é que a religião não nada além de uma válvula de escape, assim como a comunidade. É apenas uma saída para a solidão, sabe, algo em que você se apoia quando não consegue segurar a barra sozinho. É para as pessoas fracas. Força aliada aos bons valores? Não é nada disso. - A garota negra já estava quase ás lágrimas. A professora tentava interrompê-lo, mas White Mike não parava de falar. Ele olhou a professora nos olhos.
VEJA SÓ DO QUE EU SOU CAPAZ.
- Porque na verdade, quando você se ajoelha no confessionário, está simplesmente fazendo sexo oral em deus.
- Saia White Mike! - a professora falou rispidamente apontando para a porta. - Saia já.




 Nick McDonell. Doze. ed:geração editorial, São Paulo,2004. p.169.