O que mais temos? O que mais senão aquele abençoado e milagroso intervalo de ser e estar consciente? Se algo deve ser homenageado e abençoado, deveria ser apenas isso, a incalculável dádiva do mero existir. Viver desesperada porque a vida acaba ou porque não tem outra finalidade maior ou desígnio intrínseco é pura ingratidão. Pensar num criador onisciente e dedicar a vida a um ajoelhar-se-sem-fim parece sem sentido. Além de um desperdício: Porque dar todo esse amor a um fantasma, quando há tão pouco amor em volta da Terra? Melhor aceitar a solução de Einstein e Spinoza: apenas inclinar a cabeça e bater no chapéu para as elegantes leis e mistérios da natureza, mais tratar de viver.
A Cura de Schopenhauer - Irvin D. Yalom
Quando Dr. Julius descobre um melanoma.

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