quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Alice

... A senhora me desculpe, mas  no momento não tenho muita certeza.
Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. Receio que não possa me explicar Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas, mas não posso explicar a mim mesma...


Concordo inteiramente com você - disse Dona Duquesa.
- E a moral disso é: "Ser o que você pareceria ser". Ou se você preferir isso dito de uma maneira mais simples: "Nunca se imagine como sendo outra coisa do que aquilo que poderia parecer aos outros que aquilo que você foi ou poderia ter sido não fosse outra coisa do que você poderia ter sido pareceria a eles ser outra coisa."
- Acho que eu poderia entender isso melhor - Disse Alice de maneira muito educada - se estivesse tudo escrito. Mas, desse jeito, eu não consigo entender o que você quer dizer.


"Mas eu não quero me encontrar com gente louca",  observou Alice. 
"Você não pode evitar isso", replicou o gato.
"Todos nós aqui somos loucos. Eu sou louco, você é louca."
"Como você sabe que eu sou louca?"Indagou Alice.
"Deve ser disse o gato." "Ou não estaria aqui."


Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: As apenas um segundo.


"A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível."




"Nada é conquistado com lágrimas."




"Tudo tem uma moral, se você conseguir simplesmente notar."




Lewis Carroll, poeta, matemático e romancista britânico. Carroll se tornou mundialmente famoso quando escrever o clássico "Alice no País das Maravilhas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Cura de Schopenhauer


O que mais temos? O que mais senão aquele abençoado e milagroso intervalo de ser e estar consciente? Se algo deve ser homenageado e abençoado, deveria ser apenas isso, a incalculável dádiva do mero existir. Viver desesperada porque a vida acaba ou porque não tem outra finalidade maior ou desígnio intrínseco é pura ingratidão. Pensar num criador onisciente e dedicar a vida a um ajoelhar-se-sem-fim parece sem sentido. Além de um desperdício: Porque dar todo esse amor a um fantasma, quando há tão pouco amor em volta da Terra? Melhor aceitar a solução de Einstein e Spinoza: apenas inclinar a cabeça e bater no chapéu para as elegantes leis e mistérios da natureza, mais tratar de viver.


A Cura de Schopenhauer - Irvin D. Yalom
Quando Dr. Julius descobre um melanoma.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ética?



TODOS FREQUENTAVAM aulas de Ética no primeiro colegial. Era matéria obrigatória. Pra quê? pensava White Mike. Ele sempre ficava de saco cheio nas aulas de Ética, mas fingia o contrário e tirava boas notas, até o dia em que o tópico a ser discutido durante a aula foi religião: discriminação, fé, liberdade, essas coisas. White Mike se remexia na cadeira enquanto ouvia seus colegas tentarem articular seus pensamentos acerca de como eles gostavam dos valores morais do cristianismo, ao mesmo tempo em que achavam que a religião era o ópio das massas. A garota negra da turma, que era bolsista, começou a contar que ela ia à igreja todos e c os domingos, cantava, e como havia um forte sentido de comunidade. White Mike estava de mau humor. Levantou a mão e todos olhavam para ele, pois quando ele falava era sempre uma coisa diferente.
- O problema é que a religião não nada além de uma válvula de escape, assim como a comunidade. É apenas uma saída para a solidão, sabe, algo em que você se apoia quando não consegue segurar a barra sozinho. É para as pessoas fracas. Força aliada aos bons valores? Não é nada disso. - A garota negra já estava quase ás lágrimas. A professora tentava interrompê-lo, mas White Mike não parava de falar. Ele olhou a professora nos olhos.
VEJA SÓ DO QUE EU SOU CAPAZ.
- Porque na verdade, quando você se ajoelha no confessionário, está simplesmente fazendo sexo oral em deus.
- Saia White Mike! - a professora falou rispidamente apontando para a porta. - Saia já.




 Nick McDonell. Doze. ed:geração editorial, São Paulo,2004. p.169.