quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Louvor do Corpo


Há os mais destros, eu sei.
Mas como este
corto ao tempo exato o gesto escuso,
assalto a noite, cruzo as horas
e me fujo galopando em potros verdes.

Há os mais forte, eu sinto.
Mas como este
ataco, esquivo-me e agrido
como posso.
Com este parto para o embate 
e com ele é que eu retorno
            - Se vencida.

Há os mais amados, me dizem.
Mas este sabe onde, e sabe como, e sabe quando
e nunca contaria
o que ouve e sente,
quando em seus leitos se entreabrem outros corpos
com segredos repentinos,
florações de ataque e paz.

Há os mais belos, os vejo,
nos coloridos do bronze
e no esplendor de mil caçadas.
Mas este me vai como luva,
e o enfio inteiro nos abraços
e o retiro intato do espelho.

Há os mais em tudo, e eu sei.
Mas deste é que eu me sirvo, 
este é o que me deram,
 este é o que alimento,
com este como, beijo e frutifico

e é com este que eu fecundo a própria morte.

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