quinta-feira, 31 de março de 2011

Dalila


Já não sei dizer
Se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Seja não quer mais me obedecer
Parece agora está tão cansado quanto eu.

Até pensei que era mais
Por não saber que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem.

As vezes faço planos,
As vezes quero ir
A algum país distante

Já não sei dizer
O que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo sonho meu
Se meu desejo então
Que se realizou
O que fazer depois
Pra onde é que eu vou?

Andróides sem par


Passeando outro dia
Meus Rayban escuros
Eu conheci um andróide
Sem par nem futuro

Porque também não existe mais nenhum futuro
Não tem sonho nenhum
Ele nada espera
Por isso nem repara 
A manhã do poeta
Porque também não existe mais nenhuma saudade
Não existe maldade
Na terra do andróide sem par

Uns viram messias
E andam no mar
Uns andam armados
Pra te matar
Fazem amor por esporte
Vivem a vida
Não pensam na morte.

sábado, 19 de março de 2011

Sentimento completo



Estar em teus olhos,
livro tranquilo e leve
páginas folheando em suspiros
você sentada em cima do sol
sob um mundo de dores azuis
ao ter que te dizer,
vou indo
com olhos vagos sumindo 
nascendo o dia.
Noites que não dormimos
olheiras
assim sonhamos
no mundo em branco e preto.
Nossa ausência angustia sem fim.
Explodimos juntos
e colorimos tudo novamente
no momento em que nos
encontramos em um minuto.
Teus olhos calor do meu lar
 onde dividimos o mesmo
espaço num largo abraço
perfeito laço solto
que o vento leva
espalha em
pétalas 
arrancadas e jogadas
nas cerimônias juradas
pelos desejos da carne iluminada
 na enluarada paixão dos casais normais.

Ad Infinitum



Tudo me disse
neste momento ausente de palavras
um presente deixou
riqueza das vivencias e seus carinhos
ígnea poesia.
Harmonia
única forma que encontrei
para abraçar o infinito à me inspirar.

quarta-feira, 16 de março de 2011

La forza della vita




Ainda quando "caímos fora"
Por raiva ou por covardia, por causa de um amor inconsolável
Ainda quando a casa é o lugar mais inabitável
E choras e não sabes o que queres

Acredite que há uma força em nós, 
Mais forte do que um relâmpago, do que este mundo irracional e inútil
Mais forte que uma morte incompreensível
E do que esta nostalgia que não nos larga mais

Quando tocares lá no fundo
De repente sentiras a força da vida que trazes contigo,
Você não sabes, verás, existe uma saída


Ainda quando comes com dor
E no silencio sentes o coração, como um rumor insuportável
E não queres mais levantares, O mundo está inatingível
E ainda que a esperança já não seja suficiente


Existe uma vontade que esta morte desafia
É a nossa dignidade, a força dessa vida
Que não pergunta mais o que é a eternidade
Ainda que haja quem a ofenda ou que a venda


Quando sentiras que segura em teus dedos
A reconhecerás, a força da vida que trazes contido,                                                                                               Não deixes ir embora mais,

Ainda dentro das prisões da nossa hipocrisia
Ainda no fundo do hospital nessa nova doença
Existe uma força que te guarda e que reconhecerás
É a força mais teimosa que existe em nós
Que sonha e não entrega 


Que não pergunta mais, o que é a eternidade
Mas que luta todos os dias conosco, até não ter fim
Mas é a vontade, mais frágil e infinita, a nossa dignidade


 Que trazes contigo, que sussurra no seu interior:
"Veja quanta vida ainda existe!"
 
 
 


sábado, 12 de março de 2011

Amar


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!

Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!        
                                                                    
E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

                                                                    Florbela Espanca

quinta-feira, 10 de março de 2011

Depois do começo


É a verdade que assombra
O descaso que condena
A estupidez é o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes
O corpo quer a alma entende
Essa é a terra de ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A dobradora de sentimentos


"Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. 
Sou irritável e firo facilmente. 
Também sou muito calma e perdôo logo. 
Não esqueço nunca. 
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."

Surreal



...Que minha solidão me sirva de companhia.

que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo....