Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou. À ponta do lápis o traço. Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou. Na ponta dos pés o salto. Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou. Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? Eu vos espero. E para lá que eu vou. Na ponta da palavra está a palavra. (...) À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? Ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio. (...) Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. (...) À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo. Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto. (...) Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.
"Aquilo que é impenetrável para nós existe de fato. Por trás dos segredos da natureza há algo sutil, intangível e inexplicável. A veneração a essa força que está além de tudo o que podemos compreender é a minha religião." CUIDADO LEITOR, AO VOLTAR ESTA PAGINA!!!!!!!!!!!!! Aqui dissipa-se o mundo visionário e platônico.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Que assim seja
Bastantes vezes a aparência externa carece de valor. Sempre enganado tem sido o mundo pelos ornamentos. Em direito, que causa tão corrupta e estragada, não fica apresentável por uma voz graciosa, que a aparência malévola disfarça? Que heresia poderá haver em religião, se alguma fronte austera a defende, e justifica com a citação de um texto, mascarando com bonito fraseado a enormidade? Não há vicio, por crasso, que não possa revelar aparência de virtude. Quantos poltrões não vemos, cujo peito resiste tanto como areia ao vento, que no queixo nos mostram barba de Hércules ou do sombrio Marte, e que por dentro fígados como leite só possuem? Os bigodes só usam da coragem, para que possam parecer temíveis. Mas se a beleza olhásseis, acharíeis que é só comprada a peso, e que milagre realiza da natura, ocasionando mais leveza onde mais presente esteja. isso se dá com esses cabelos de cachos enrolados como serpes, que saltitam ao vento, libertinos. cobrindo uma beleza só de empréstimo; conhecidos são todos como dádiva de uma cabeça estranha: já no túmulo se encontra o crânio sobre que nasceram. Praia traiçoeira é o ornato, por tudo isso, de um mar mui perigoso, linda charpa que esconde o rosto de uma bela indiana; em resumo: aparência da verdade, de que se vale o tempo experto, para colher até os mais sábios. Assim sendo, brilhante ouro, de Midas duro cibo, nada quero de ti, como não quero também de ti, intermediário pálido e vulgar entre os homens. Minha escolha recai em ti, em ti, modesto chumbo, que mais ameaças do que prêmio inculcas. Tua lhaneza é a máxima eloqüência. Seja pois alegria a conseqüência.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Meu eu
"Tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras; sou irritável e piro facilmente; também sou muito calma e perdôo logo; não esqueço nunca; mas há poucas coisas de que eu me lembre; sou paciente, mas profundamente colérica, como a maioria dos pacientes; as pessoas nunca me irritam mesmo, certamente porque eu as perdôo de antemão; gosto muito das pessoas por egoísmo: é que elas se parecem no fundo comigo; nunca esqueço uma ofensa, o que é uma verdade, mas como pode ser verdade, se as ofensas saem de minha cabeça como se nunca nela tivessem entrando? Tenho uma paz profunda, somente porque ela é profunda e não pode ser sequer atingida por mim mesmo; se fosse alcançável por mim, eu não teria um minuto de paz; quanto a minha paz superficial, ela é uma alusão à verdadeira paz; outra coisa que esqueci é que há outra alusão em mim - a do mundo grande e aberto; apesar do meu ar duro, sou cheia de muito amor e é isso o que certamente me dá uma grandeza...”
terça-feira, 5 de julho de 2011
Nós somos feitos da mesma matéria que os sonhos
Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta tempora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sobra franca
E em feixe atado agora o vejo trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascer a graça nova.
Contra a foice do tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta tempora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sobra franca
E em feixe atado agora o vejo trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascer a graça nova.
Contra a foice do tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Metafísica
Tento ser a melhor para as pessoas que estão ao meu redor
A palhaça
A meiga
A compreensiva
A santinha
A doida
A Cara de pau
A Paciente (nem sempre)
A chata
A amiga
A psicologa
A que tem tudo e continua sentindo falta de algo
A que odeio gritos
A que vive sonhando
A que odeia mentira
A que ninguém consegue enganar
A que se quiser vive uma ilusão
A que faz amizade rápidas
A que se magoa fácil
A que gosta de ler
A que quer ir para o paquistão
A Que ama filmes
A que odeia gente triste
A que sente muitas dores
A que chora por nada e ri por tudo
A que não consegue dizer não
A que tem amigos e inimigos enternos
A que não vive sem a mãe
A que liga mesmo e não estar nem aí
A que vive esperando alguém que sabe que nunca vai chegar
A que odeia que reprimem seus sentimentos
A que nunca sabe aonde esta nada
A que vai até o fim por alguém
A que odeia ver falsidade nos outros por isso sempre tenta ver o que tem de melhor nas pessoas
Assim,toda louca mais as vezes lucida
Até porque não é todo mundo que tem o privilégio de ser como eu!
A palhaça
A meiga
A compreensiva
A santinha
A doida
A Cara de pau
A Paciente (nem sempre)
A chata
A amiga
A psicologa
A que tem tudo e continua sentindo falta de algo
A que odeio gritos
A que vive sonhando
A que odeia mentira
A que ninguém consegue enganar
A que se quiser vive uma ilusão
A que faz amizade rápidas
A que se magoa fácil
A que gosta de ler
A que quer ir para o paquistão
A Que ama filmes
A que odeia gente triste
A que sente muitas dores
A que chora por nada e ri por tudo
A que não consegue dizer não
A que tem amigos e inimigos enternos
A que não vive sem a mãe
A que liga mesmo e não estar nem aí
A que vive esperando alguém que sabe que nunca vai chegar
A que odeia que reprimem seus sentimentos
A que nunca sabe aonde esta nada
A que vai até o fim por alguém
A que odeia ver falsidade nos outros por isso sempre tenta ver o que tem de melhor nas pessoas
Assim,toda louca mais as vezes lucida
Até porque não é todo mundo que tem o privilégio de ser como eu!
Salomé
"Claro, como se ama um amigo
Eu te amo, vida enigmática –
Que me tenhas feito exultar ou chorar,
Que me tenhas trazido felicidade ou sofrimento,
Amo-te com toda a tua crueldade,
E se deves me aniquilar,
Eu me arrancarei de teus braços
Como alguém se arranca do seio de um amigo.
Com todas as minhas forças te aperto!
Que tuas chamas me devorem,
No fogo do combate, permite-me
Sondar mais longe teu mistério.
Ser, pensar durante milênios!
Encerra-me em teus dois braços:
Se não tens mais alegria a me ofertar
Pois bem – restam-te teus tormentos. "
sábado, 25 de junho de 2011
Charles me disse...Eu concordo!
A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?
sexta-feira, 24 de junho de 2011
LET IT BE
Fanatismo
Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és se quer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és se quer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és: Princípio do Fim!..."
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és: Princípio do Fim!..."
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Cobaias de deus
Se você quer saber como eu me sinto
Vá a um laboratório ou um labirinto
Seja atropelada por esse trem da morte
Vá ver as cobaias de deus
Andando na rua pedindo perdão
Vá a uma igreja qualquer
Pois lá se desfazem em sermão
Me sinto uma cobaia, um rato enorme
Nas mãos de um deus mulher
De um deus de saia
Cagando e andando
Vou ver o ET
Ou vir num cantor de blues
Em outra encarnação
Nós, as cobaias de deus
Nós somos as cobaias de deus
Me tire dessa jaula, irmão não sou macaco
Desse hospital maquiavélico
Minha mãe, eu estou com medo
Porque ela vai deixar a sorte me levar
Você vai me ajudar, traga a garrafa
Estou desmilinguida, cara de boi lavado
Traga a corda irmão (irmão acorda!)
Nós, as cobaias, vivemos muito sós
Por isso, deus, tem pena e nos põe na cadeia
E nos põe em uma clínica e nos faz voar
Nós as cobaias de deus
Nós somos as cobaias de deus!!
quinta-feira, 31 de março de 2011
Dalila
Já não sei dizer
Se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Seja não quer mais me obedecer
Parece agora está tão cansado quanto eu.
Até pensei que era mais
Por não saber que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem.
As vezes faço planos,
As vezes quero ir
A algum país distante
Já não sei dizer
O que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo sonho meu
Se meu desejo então
Que se realizou
O que fazer depois
Pra onde é que eu vou?
Andróides sem par
Passeando outro dia
Meus Rayban escuros
Eu conheci um andróide
Sem par nem futuro
Porque também não existe mais nenhum futuro
Não tem sonho nenhum
Ele nada espera
Por isso nem repara
A manhã do poeta
Porque também não existe mais nenhuma saudade
Não existe maldade
Na terra do andróide sem par
Uns viram messias
E andam no mar
Uns andam armados
Pra te matar
Fazem amor por esporte
Vivem a vida
Não pensam na morte.
sábado, 19 de março de 2011
Sentimento completo
Estar em teus olhos,
livro tranquilo e leve
páginas folheando em suspiros
você sentada em cima do sol
sob um mundo de dores azuis
ao ter que te dizer,
vou indo
com olhos vagos sumindo
nascendo o dia.
Noites que não dormimos
olheiras
assim sonhamos
no mundo em branco e preto.
Nossa ausência angustia sem fim.
Explodimos juntos
e colorimos tudo novamente
no momento em que nos
encontramos em um minuto.
Teus olhos calor do meu lar
onde dividimos o mesmo
espaço num largo abraço
perfeito laço solto
que o vento leva
espalha em
pétalas
arrancadas e jogadas
nas cerimônias juradas
pelos desejos da carne iluminada
na enluarada paixão dos casais normais.
Ad Infinitum
Tudo me disse
neste momento ausente de palavras
um presente deixou
riqueza das vivencias e seus carinhos
ígnea poesia.
Harmonia
única forma que encontrei
para abraçar o infinito à me inspirar.
quarta-feira, 16 de março de 2011
La forza della vita
Ainda quando "caímos fora"
Por raiva ou por covardia, por causa de um amor inconsolável
Ainda quando a casa é o lugar mais inabitável
E choras e não sabes o que queres
Acredite que há uma força em nós,
Mais forte do que um relâmpago, do que este mundo irracional e inútil
Mais forte que uma morte incompreensível
E do que esta nostalgia que não nos larga mais
Quando tocares lá no fundo
De repente sentiras a força da vida que trazes contigo,
Você não sabes, verás, existe uma saída
Ainda quando comes com dor
E no silencio sentes o coração, como um rumor insuportável
E não queres mais levantares, O mundo está inatingível
E ainda que a esperança já não seja suficiente
Existe uma vontade que esta morte desafia
É a nossa dignidade, a força dessa vida
Que não pergunta mais o que é a eternidade
Ainda que haja quem a ofenda ou que a venda
Quando sentiras que segura em teus dedos
A reconhecerás, a força da vida que trazes contido, Não deixes ir embora mais,
Ainda dentro das prisões da nossa hipocrisia
Ainda no fundo do hospital nessa nova doença
Existe uma força que te guarda e que reconhecerás
É a força mais teimosa que existe em nós
Que sonha e não entrega
Que não pergunta mais, o que é a eternidade
Mas que luta todos os dias conosco, até não ter fim
Mas é a vontade, mais frágil e infinita, a nossa dignidade
Que trazes contigo, que sussurra no seu interior:
"Veja quanta vida ainda existe!"
sábado, 12 de março de 2011
Amar
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!
Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca
quinta-feira, 10 de março de 2011
Depois do começo
É a verdade que assombra
O descaso que condena
A estupidez é o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes
O corpo quer a alma entende
Essa é a terra de ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.
quarta-feira, 2 de março de 2011
A dobradora de sentimentos
"Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calma e perdôo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
Surreal
...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo....
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Devaneios
Não creio em astros que nos unam
Ou em deuses que nos separem...
O destino dos nossos dias
Esta escrito por dentro
E sempre se manifesta
No vibrar de cada células,
Quando nossas vozes se calam
e se colocam nossas peles...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Solidão
Quando dizemos que não há meios de escapar da solidão, não queremos dizer que isso é difícil, mas que é completamente impossível. O que as demais pessoas conhecem a nosso respeito são apenas nossas bocas movendo-se diante delas, e as ideias que constroem a partir disso; em suas mentes, isso resulta numa visão de nós mesmos tão deturpada quanto a visão que temos delas, que nos parecem existir apenas do lado de fora; e não nos enganemos, nós passamos essa mesma impressão. Contudo, assim como elas, nós existimos primariamente num nível privado que é inacessível, significando que todo e qualquer contato sempre acontecerá de forma indireta. Isso nos permite compreender que não há situação em que seria possível escapar da solidão. Apenas podemos supor que um contato direto seria agradável, mas isso é algo que imaginamos pelos verbos que vemos sair de outras bocas, que se assemelham ao que nós próprios murmuraríamos. Talvez fosse agradável ter um contato direto com a consciência de outra pessoa — e não apenas com seu vocabulário —, mas isso é impossível. Em relação ao íntimo uns dos outros, somos todos estrangeiros vivendo seu exílio pessoal. Cada qual está trancado em si próprio, e só conhecemos o que os demais dizem de si, nunca eles próprios; e nós também nunca seremos conhecidos, apenas ouvidos sobre aquilo que dizemos de nós mesmos. Em suma, a solidão é a consciência de que vivemos sozinhos em nossos corpos, e só podemos entrar em contato com outros indivíduos por meio de gesticulações que nossos corpos executam — exatamente como se cada qual morasse sozinho em uma casa, e só pudesse entrar em contato com outros indivíduos por meio de cartas, sem jamais conhecer o interior de outras residências.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Alhures
Le bonheur n’est pas chose aisée: il est très difficile de le trouver en nous,
et impossible de le trouver ailleurs.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
O Anticristo
As condições sob as quais sou compreendida, sob as quais sou necessariamente compreendida – conheço-as muito bem. Para suportar minha seriedade, minha paixão, é necessário possuir uma integridade intelectual levada aos limites extremos. Estar acostumada a viver no cimo das montanhas – e ver a imundície política e o nacionalismo abaixo de si. Ter se tornado indiferente; nunca perguntar se a verdade será útil ou prejudicial... Possuir uma inclinação – nascida da força – para questões que ninguém possui coragem de enfrentar; ousadia para o proibido; predestinação para o labirinto. Uma experiência de sete solidões. Ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até agora permaneceram mudas. E um desejo de economia em grande estilo – acumular sua força, seu entusiasmo... Auto-reverência, amor-próprio, absoluta liberdade para consigo...
... Que importância tem o resto? – O resto é somente a humanidade. – É preciso tornar-se superior à humanidade em poder, em grandeza de alma – em desprezo...
Quem vai dizer tchau?
Quando aconteceu?
- Não sei.
Quando foi que eu deixei de te amar?
Quando a luz, o poste não acendeu?
Quando a sorte não mais pôde ganhar?
- Não.
De longe me disse um não
Mas quem vai dizer tchau?
Onde aconteceu?
- Não sei.
Onde foi que eu deixei de te amar?
Dentro do quarto só estava eu
Dormindo antes de você chegar
Mas, não,
Não foi ontem que eu disse não
E quem vai dizer tchau?
A gente não percebe o amor
que se perde aos poucos
sem virar carinho
Guardar lá dentro o amor não impede
Que ele empedre mesmo crendo-se infinito
Tornar o amor real é expulsá-lo de você
Para que ele possa ser de alguém
Somos, se pudermos ser ainda
Fomos donos do que hoje não há mais
Ouve o que houve
E o que escondem em vão
Os pensamentos que preferem calar
Se não
Irá nos ferir o não,
Mas que não quer dizer tchau.
Quando foi que eu deixei de te amar?
Quando a luz, o poste não acendeu?
Quando a sorte não mais pôde ganhar?
- Não.
De longe me disse um não
Mas quem vai dizer tchau?
Onde aconteceu?
- Não sei.
Onde foi que eu deixei de te amar?
Dentro do quarto só estava eu
Dormindo antes de você chegar
Mas, não,
Não foi ontem que eu disse não
E quem vai dizer tchau?
A gente não percebe o amor
que se perde aos poucos
sem virar carinho
Guardar lá dentro o amor não impede
Que ele empedre mesmo crendo-se infinito
Tornar o amor real é expulsá-lo de você
Para que ele possa ser de alguém
Somos, se pudermos ser ainda
Fomos donos do que hoje não há mais
Ouve o que houve
E o que escondem em vão
Os pensamentos que preferem calar
Se não
Irá nos ferir o não,
Mas que não quer dizer tchau.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Megalografia
Acumular potência para a investida
Coroar o início com uma jura sumária
Adiantar-se no tempo – um lapso
Negar do presente o impreciso
Imprimir seu ímpeto no futuro
Trespassar o destino em atos
De uma audácia inaudita
Ignorar história e estatística
Numa marcha implacável
Onde o dúbio é uma piada
Antes de qualquer confronto
Ser a vitória por princípio
Desviar-se da sujeira
Dos restos prostrados
Daquilo que não merece
Tempo para ser derrotado
Por uma fúria tão esplendente
O sumo da vontade de potência
Estrondosos passos irresolutos
Cavando fendas categóricas
Não uma arritmia histérica
De covardia estratégica
Mas um fato consumado
Antes do tempo alcançá-lo
Ser distinção absoluta
Em altura vertiginosa
Separando o alarido
Programado e vulgo
Do silêncio imposto
Pela hegemonia patente
Da uma altivez inconteste
Que superou a si mesma
Que destronou o mestre
Sem um risco de suor
Sem traços de sangue
Findada a trajetória
Mergulha na nulidade
Da imunidade concludente
Envolta em letargia e negrume
Sua potência bestial adormece
Vendo o presente fazer-se mudo
Desvanecer num abismo vago
Onde tudo está consumado
Num universo solitário
Assim espera no tempo
Um dia vazio que desponte
Trazendo ao viver liberdade
Para mais café e videogame
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